Alimentos orgânicos na prevenção do câncer

Parar de fumar, fazer exercícios regularmente, usar protetor solar e realizar exames preventivos regularmente são algumas medidas já bastante conhecidas para a prevenção do câncer. 


No entanto, ainda não há estudos conclusivos sobre os benefícios dos alimentos orgânicos em substituição aos tradicionais para a prevenção da doença.

O estudo Association of Frequency of Organic Food Consumption With Cancer Risk - Findings From the NutriNet-Santé Prospective Cohort Study, realizado por pesquisadores franceses e publicado esta semana na revista JAMA Internal Medicine, incluiu cerca de 70 mil adultos, que foram acompanhados por uma média de quatro anos e meio.  Os resultados revelam que aqueles que consumiram mais alimentos orgânicos tiveram menor probabilidade de desenvolver certos tipos de câncer do que os demais.

Com estes resultados, ainda não se pode afirmar que os alimentos orgânicos são a razão pela qual foram registrados menos casos de câncer. Mas são significativos o suficiente para justificar a realização de mais estudos de acompanhamento, acreditam os pesquisadores.

Para os pesquisadores, ainda é necessário confirmar algumas informações, como por exemplo a quantidade de alimentos orgânicos e se procede a informação de que quanto mais alimentos orgânicos uma pessoa ingere, menor será a sua exposição a resíduos de pesticidas. 

De qualquer forma, para os pesquisadores, se novos estudos puderem fornecer evidências mais sólidas sobre o consumo de alimentos orgânicos para a prevenção do câncer, medidas para reduzir custos e garantir o acesso equitativo a estes produtos serão indispensáveis. 

Eles também destacam que a preocupação com os riscos de pesticidas não deve desencorajar a ingestão de frutas e vegetais convencionais, pois os benefícios de consumir estes produtos, ainda que cultivados convencionalmente, provavelmente superam os possíveis riscos da exposição a pesticidas. 


O perigo dos pesticidas cancerígenos

O estudo, lista a presença de pesticidas nos alimentos como um dos fatores que podem ter influenciado estes resultados. Pelo menos três deles - glifosato, malathion e diazinon - provavelmente causam câncer, mas outros também podem ser cancerígenos, alerta a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer.

Já em 2015, a International Agency for Research on Cancer (Iarc), agência do câncer da Organização Mundial da Saúde, havia classificado os três pesticidas como cancerígenos “prováveis” ou “possíveis”, após estudos de exposição agrícola realizados nos Estados Unidos, Canadá e Suécia, bem como com animais em laboratórios.

De acordo com os pesquisadores, produtos orgânicos são menos propensos a conter resíduos de pesticidas do que os alimentos convencionais, pois as regras que os agricultores devem seguir para utilizar a nomenclatura orgânico em seus alimentos geralmente proíbem o uso de pesticidas sintéticos. 

Um relatório divulgado este ano pela European Food Safety Authority encontrou resíduos de um ou mais pesticidas em 44% das amostras de alimentos produzidas convencionalmente, enquanto que apenas 6,5% das amostras de alimentos orgânicos tinham resíduos de pesticidas detectáveis.

Há evidências de que esses pesticidas são metabolizados no corpo, pois já foi comprovado que a urina de pessoas que comem poucos ou nenhum alimento orgânico contém concentrações mais altas de substâncias químicas derivadas de pesticidas do que a urina de pessoas que comem alimentos orgânicos regularmente.

Infelizmente, o consumo de produtos orgânicos ainda é muito pequeno em todo o mundo. Nos Estados Unidos, mais de 90% das pessoas apresentam pesticidas na urina ou no sangue. Essas concentrações diminuem quando as pessoas mudam a sua alimentação, passando a consumir alimentos orgânicos.

O estudo francês

Embora ainda não se possa afirmar quais os prejuízos à saúde do consumo de produtos químicos relacionados a pesticidas, sua utilização já vem sendo monitorado por organizações mundiais. 

Diante dessa questão, uma equipe do Inserm, organização governamental francesa de pesquisa dedicada à saúde, buscou dados de um estudo sobre saúde e nutrição ainda em andamento, que vem sendo realizado desde 2009. No estudo, havia questões sobre 16 categorias de alimentos - incluindo frutas, legumes, ovos e vinho - e com que frequência eles comiam versões orgânicas deles. Uma vez por ano, são fornecidas novas informações, incluindo se houve algum diagnóstico de câncer.

Até o final de 2016, 68.946 dos participantes foram incluídos na análise, sendo 78% mulheres. A idade média no início do estudo foi de 44 anos.

Entre 2009 e 2016, o câncer foi diagnosticado em 1.340 dos voluntários. O tipo mais comum foi câncer de mama (459 casos), seguido por câncer de próstata (180 casos), câncer de pele (135 casos), câncer colorretal (99 casos), linfoma não-Hodgkin (47 casos) e outros tipos de linfomas (15 casos).

Os autores do estudo classificaram os voluntários de acordo com a frequência com que comiam alimentos orgânicos e os dividiam em quatro grupos de mesmo tamanho. 

As pessoas que comiam alimentos orgânicos tinham maior renda, mais educação e melhores empregos. Também eram mais propensos a se exercitar, a parar de fumar e a comer quantidades mais elevadas de alimentos saudáveis, como frutas e verduras. Todas essas características estão associadas a menor risco de câncer.

Os resultados

As pessoas que comiam alimentos orgânicos com mais frequência tiveram 25% menos probabilidade de desenvolver qualquer tipo de câncer do que as demais. A escolha por alimentos orgânicos teve, entre outros fatores, o fato de existir um histórico familiar de câncer.

Ao considerar cada tipo de câncer separadamente, os pesquisadores descobriram que apenas três apresentaram uma associação estatisticamente significativa com o consumo de alimentos orgânicos. Um deles foi o câncer de mama na pós-menopausa. Neste caso, mulheres que ingeriam alimentos orgânicos na maioria das vezes tiveram 34% menos probabilidade de receber esse diagnóstico. 

Outro foi linfoma não-Hodgkin: o hábito de consumir alimentos orgânicos tornou as pessoas 86% menos propensas a esta forma de câncer. 

No caso do grupo ‘outros tipos de linfomas’, o consumo de orgânicos levou a uma redução de 76% dos casos. 

O estudo está disponível aqui.

(11) 3045-3797 / (11) 2589-0382

Seg à Sexta das 8h às 18h

Av. Santo Amaro, 1149 cjs. 33/34 
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