Inclusão de teste genético no SUS: prevenção e cuidado no câncer de mama e ovário
- 2 de abr.
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Foi encerrada na última segunda-feira, 2 de fevereiro, a Consulta Pública nº 3/2026, conduzida pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), sobre a possível incorporação do Sequenciamento de Nova Geração (NGS) no Sistema Único de Saúde (SUS). Os testes são capazes de identificar mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, que estão associadas ao risco hereditário de câncer de mama e câncer de ovário.
O tema segue para análise técnica e pode representar um avanço importante no tratamento e prevenção de mulheres com maior risco genético.
A proposta, apresentada pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), envolve uma tecnologia somente disponível na saúde suplementar. A disponibilização desta tecnologia ao SUS é de suma importância, visto que os cânceres de mama e de ovário estão entre os tumores que mais impactam a saúde da mulher.
Alterações genéticas, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2, estão associadas a um risco significativamente maior para o desenvolvimento dessas doenças ao longo da vida.
Segundo o cirurgião geral e oncológico Dr. Arnaldo Urbano Ruiz, compreender o papel da genética é fundamental para avançar na prevenção e no cuidado individualizado. “Quando falamos em câncer hereditário, não estamos tratando apenas a doença já instalada, mas trabalhando com informação que pode mudar a história de uma família inteira”, explica.
Estima-se que cerca de 5% a 10% dos casos de câncer de mama e de ovário estejam relacionados a mutações genéticas herdadas. Em mulheres portadoras de alterações nos genes BRCA1 ou BRCA2, o risco de câncer de mama pode chegar a 80%, enquanto o risco de câncer de ovário varia entre 20% e 40%, números significativamente superiores aos da população geral.
Quando o teste genético é indicado
O teste genético não é recomendado para todas as mulheres, mas deve ser considerado em situações específicas, como:
diagnóstico de câncer de mama em idade jovem
histórico familiar importante de câncer de mama e/ou de ovário
câncer de mama bilateral ou subtipo triplo-negativo
presença de câncer de ovário em familiares de primeiro ou segundo grau
familiares com mutação genética já identificada
“No câncer de ovário, em especial, o componente genético tem um peso relevante. Muitas vezes a doença é diagnosticada em estágios mais avançados, e identificar o risco antes do aparecimento do tumor pode permitir estratégias de vigilância e prevenção mais eficazes”, destaca o Dr. Ruiz.
Câncer de ovário e Carcinomatose Peritoneal
O câncer de ovário merece atenção especial porque, em muitos casos, pode evoluir para a carcinomatose peritoneal, condição em que as células tumorais se disseminam pelo peritônio, que é a membrana que reveste os órgãos da cavidade abdominal.
Segundo o Dr. Arnaldo Urbano Ruiz, esse tipo de disseminação é relativamente frequente nos tumores ovarianos e costuma estar associado a diagnósticos mais tardios.
“O câncer de ovário, muitas vezes silencioso em fases iniciais, pode se espalhar pelo abdômen antes de provocar sintomas evidentes. Por isso, identificar mulheres com maior risco genético é uma estratégia fundamental para vigilância precoce e, potencialmente, para evitar quadros mais avançados da doença”, explica.
Informação que salva vidas
Para o Dr. Arnaldo Urbano Ruiz, ampliar o debate sobre câncer hereditário é essencial para promover saúde e reduzir desigualdades no acesso ao diagnóstico precoce.
“Falar sobre genética é falar sobre prevenção, planejamento e qualidade de vida. Quanto mais informada a mulher estiver, maiores são as chances de detectar precocemente ou até evitar o desenvolvimento da doença”, conclui.




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